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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Chucha vs dedo


“A utilização satisfaz a necessidade instintiva de chuchar do recém-nascido. A utilização da chupeta durante 24 meses não é prejudicial para a boca, pelo contrário, pode prevenir algumas más oclusões (mordida aberta dento-alveolar). Chuchar o polegar, por sua vez, pode ser prejudicial porque: o dedo exerce uma pressão mais intensa sobre os dentes e sobre o palato; o dedo é maior e mais consistente; chuchar o polegar frequentemente perdura para além dos tempos fisiológicos e é um hábito difícil de eliminar. A utilização da chupeta durante o sono reduz consideravelmente os riscos de SIDS (Sudden Infant Death Syndrome ou "morte súbita"), segundo um recente estudo publicado na Pediatrics, órgão oficial da American Academy of Pediatrics: esse estudo demonstra que as crianças que usam a chupeta durante o sono têm uma redução do risco de SIDS de 61%, relativamente às crianças que não a usam. No estudo são citadas as seguintes razões para explicar os efeitos protectivos da chupeta relativamente ao risco de SIDS: os bebés que usam chupeta acordam com menos frequência; respiração oral facilitada em caso de obstrução nasal; baixo risco de obstrução orofaríngea, graças à posição avançada da língua; incentiva a adoptar a posição supina durante o sono. O mesmo estudo afirma que o efeito protectivo subsiste, mesmo que a criança perca a chupeta durante o sono.” Pois bem, depois de falar com a C. sobre o assunto, ela acha que não devemos dar importância, pelo menos por ora. Insistir com a chucha devemos, mas não querendo aceitá-la (como se tem verificado até agora), deixar-te em paz. Disse-nos que normalmente os bebés acabam por deixar de chuhar no dedo por si, sem dramas. A ver vamos Mariazinha.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Prova de fogo

1.ª noite em casa, sem a chucha. Primeira noite sem a ajuda preciosa dos ares da praia, do enorme cansaço em virtude dos milhentos mergulhos no mar... Deitaste-te na cama, depois dos dentes lavados e do xixi feito. Pediste que te lesse a habitual história. Pensei para mim que talvez fossemos precisar de umas quantas nessa noite. Agarraste-te ao teu dálmata (peluche com que te habituaste a dormir já há bastante tempo). A meio da história olhei para ti e já dormias profundamente. Prova superada. E que alívio...

Da bebé da mãe que teima em crescer

Para variar, o pai chama-me à realidade, faz-me assentar os pés na Terra. Na primeira noite sem chucha, choravas na tua cama, enquanto o pai te tentava acalmar. Eu chorava no quarto ao lado. Nitidamente sofri mais eu que tu. Andei angustiada os três primeiros dias, a pensar se compensava, se ficarias bem, se não te traumatizava, eu sei lá! O papá dizia-me ela tem de crescer... Mas o meu coração teima em ficar pequenino, pequenino... O que fazer?

Da boa nova


Tentámos enaltecer o mais possível o teu feito. Deixar a chucha de uma vez por todas, não é para qualquer menino! Além dos presentinhos, demos-te os parabéns vezes sem conta, durante vários dias. Contámos a toda a gente conhecida com quem estivemos e insisti para que ligasses a todas as pessoas a quem quisesses dar a boa nova. Assim, a tua lista foi: a avó M., o avô F., o avô J., o tio K., o tio Q., a prima, a tia A., a titi, à “tia” M. E dizias muito contente “a avó M. nem vai acreditar que eu já não uso chucha!”. Depois começavas os telefonemas quase sempre com a mesma frase que te saía de chofre: Avó já não uso chucha! Di ao gato! Quando te perguntámos o que gostarias de ter por estares de parabéns e mereceres um reforço positivo (leia-se, presente) respondeste-nos prontamente que querias uma cana de pesca (para brincar na praia), uma fita para o cabelo (tens tão poucas...) e umas pinturas!!! As pinturas ofereceu-te a avó M. assim que chegou ao Algarve, o resto, oferecemos nós. Ficaste muito surpreendida por ouvir o avô F. e a prima (ao telefone) dizerem-te que também te iriam oferecer um presente. Estavas contentíssima e notou-se que entendias que era de facto algo notável, teres deixado de usar chuchinha. Estavas ansiosa por contar à tua prof. R. e à G. e eu dizia-te:
Eu: A G. vai dizer “a minha morenaça já não usa chucha!”.
Tu: Não mamã, a G. vai dizer “a minha Maggie já não usa chucha!”. E a R. vai dizer “a minha Magali já não usa chucha!”.
Um dos telefonemas em que mais falaste e que, como tal, teve mais piada, foi quando ligaste ao avô F.:
Avô!!!! Eu di a chucha ao gato! A mamã atirou pela janela e ele apanhou!
(...)
A minha mãe e o meu pai também me vão dar presentes!!!
(...)
Eu já ‘tou de férias. Dou mergulhos gigantes!
(...)
A água?
(...)
É salgada... e fiz um bolo de coração e vou deixar um bocadinho para ti!

Do adeus à chucha


Dia 1: Na noite de 18 para 19 de Agosto foi a tua primeira noite (desde os seis meses e pouco) sem chucha. Estiveste 15 minutos a chorar... Pedias a chucha insistentemente, até que adormeceste, exausta. Não tinhas feito a sesta nesse dia. A meio da noite acordaste (calculamos que tenhas procurado a chucha na cama, como era hábito e, uma vez que ela lá não estava, acordaste e chamaste). Choraste uns minutos até voltares a adormecer. Na manhã seguinte foi uma festa! Muitas congratulações todo o dia, dizer aos padrinhos (que também estavam em Monte Gordo) contar a todos na praia, no café, telefonar a toda a família a contar a novidade. À tarde, pediste a chucha brevemente, para a sesta, mas saltaste a sesta novamente (o que é compreensível preferires não ter de dormir, a sentir a falta da chuchinha e o que até foi bom, dado que quando entrasses nos 4 anos não irias fazer mais a sesta no Colégio).
Dia 2: Na segunda noite sem chucha o sono era terrível o que foi muitíssimo conveniente... Adormeceste à mesa, literalmente, enquanto tentavas jantar. Estavas derreada. Voltaste a acordar a meio da noite, mas desta vez, depois de pedires e beberes água, quiseste deitar-te ao meu lado. Não choraste nem pediste a chucha. Voltaste a adormecer bem, em minutos. Nesse dia, antes de jantar, estavas visivelmente cansada. Fiquei na dúvida se o teu olhar reflectia apenas cansaço ou também tristeza.
Eu: Estás triste filha?
Tu: Não.
Eu: Não estás triste por não teres a tua chucha?
Tu: Não mamã, estou só cansada.
Dia 3: A terceira noite já mostrava o sucesso de mais um passo de deixar para trás a bebé que ainda há em ti... Deitada na tua cama, pediste para te lermos uma história. Assim que acabei de te ler a história dos estrunfes, adormeceste. Não mencionaste a tua amiga, muito embora com certeza sentisses muito a sua falta. Mais uma vez, valeu-nos o cansaço da praia e o soninho, o calor, os dias estafantes e o facto de continuares a recusar dormir a sesta. Não choraste, não demoraste a adormecer. Não acordaste a meio da noite. Foi perfeito. A meio do dia, sem que nada nem conversa alguma o fizesse prever, saíste-te com: em Lisboa, eu vou a casa da avó M. e ela tem lá chuchas e dá-me! Ignorámos...Uns dias depois ainda te vimos pôr o dedo na boca (cremo que, na tentativa de perceber se seria tão bom como chuchar na chucha, afinal, se a mana chucha no dedo, se calhar não é mau), mas sem demais repercussões. Lembro-me de conversar contigo algumas vezes sobre o assunto, para indagar que estavas, apesar de tudo, segura de que era o melhor para ti. Disse-te inclusive que iria custar muito no primeiro dia, um bocadinho nos seguintes, mas que, a pouco e pouco, deixaria de ser custoso. Uns dias depois da primeira noite, disseste-me: mãe? Sim. Hoje já não custa tanto.