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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Um (quase) monólogo


No carro:
Tu (falavas sobre a Maria): É a mais fofa lá de casa! É bebé. Quando tu nasceste mãe eras a mais fofa em tua casa, quando o pai nasceu era o mais fofo na casa dele, quando eu nasci era a mais fofa lá de casa e a Maria quando nasceu também. E ainda é! Quem nasceu em ultimo é o mais fofo!
Eu: Estou a perceber...
Tu: Mãe, e quem nasceu primeiro é o mais rijo!
Eu: O mais quê??
Tu: Rijo!
Eu: Rijo?!?
Tu: Sim, porque não é fofinho. É rijo.
(E continuaste)
Os pais costumam ser os mais rijos porque nasceram primeiro.
Eu: Mas eu nasci primeiro que o pai...
Tu: Pois mas ele é mais rijo na mesmo.
Eu: Quem te disse que os pais costumam nascer primeiro que as mães?
Tu: Uhmm ... ... ... Resposta B!
Eu: Como?
Tu: Resposta B!
Eu: Ah... e a que equivale a resposta B?
Tu: Resposta B é: a R.! (Educadora)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Conselho

Miúdas vocês não parem de correr. De ginasticar, de fazer natação, do que quiserem, mas não parem. É que recomeçar aos 34 (no caso começar, pois nunca corri antes, fazia outros desportos) é duro, muito duro. Posso dizer-vos que a única sensação que me lembro do primeiro dia era a de que, a cada passo, o meu rabo se colava ao chão… Mesmo… Enfim, better not stopp moving…

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Sozinha

Educar não é fácil. Como qualquer educador – calculo eu – há temas com que lido melhor que outros ou, de outra forma, que consigo ter reacção/resposta mais fácil. O tema da morte nunca me fez muita confusão quando por ti interpelada. Tentei sempre explicar de forma simples e clara, sem grandes rodeios, mas também terminando o assunto assim que achei que estava explicado, não dando azo a medos ou grandes conversas. Há uns meses, contudo, fiquei atrapalhada. Não dei parte fraca e relativizei, mas creio pelo facto de não antever o tema fulcral da conversa, não foi para mim fácil controlar a situação. Disseste-me que ias ao quarto mas que não querias ir sozinha. Lá fui contigo, tendo em conta que sei bem que os medos fazem parte da tua idade e sempre considerei que para enfrentá-los mais tarde sozinha, agora deves fazê-lo connosco. Já estavas no quarto quando entrei na casa de banho (mesmo em frente). Começaste a chorar, a dizer que te deixava sozinha. Eu nunca te deixo sozinha, disse eu, estamos as duas em casa e tu estás no teu quarto, mas eu estou logo aqui. Não gosto que me deixem sozinha, retorquiste. E eu continuei dizendo que eu e o pai nunca te deixaremos sozinha, num sítio que não conheças ou numa situação. Nem quando eu for muito crescida? Perguntaste. Quando fores muito crescida farás tudo, ou quase tudo, sozinha. Já não terás medo e será normal. O choro continuou e eu sem perceber porquê, até que disseste: mas depois vocês morrem e eu fico sozinha! Tentei desdramatizar, disse que faltava muuuuuito tempo para isso, que não pensasses nesse assunto. Mudei de conversa, brinquei, lavámos os dentes e fomos para a cama ler-te uma história. A verdade é que fiquei com um nó na garganta até eu adormecer…

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Maria

Desde que aqui escrevi em Maio – mais coisa menos coisa – que tanto se passou. A verdade é que em poucos meses evoluis muitíssimo. Muito mesmo. Dificilmente posso precisar dias. Ainda assim e, com alguma certeza de cronologia de acontecimentos, aqui fica o que não deixei de tomar nota (mental e escrita :-)).

terça-feira, 31 de julho de 2012

Perdão

Perdão meus tesouros. Por não arranjar uma meia hora diária nos últimos tempos para aqui escrever parte da vossa história. Perdão. Tenho tentado, sinceramente... Enfim, com todas as notas que vou fazendo, a ver se agora recupero :-).

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Família

A família é relativa. Para mim é. Se olharmos a uma definição (de entre muitas que existem) família será o conjunto de todos os parentes de uma pessoa, e, principalmente, dos que moram com ela. Certo. Mas ADN e sangue à parte, a verdade é que família pode ser e não ser isto. Pode ser muito mais. A vossa percepção é a mesma, ainda não conhecendo todos os laços sanguíneos que nos unem a outras pessoas e desconhecendo para já o significado. Cá em casa é simples. A nossa família são a maior parte dos nossos familiares e ainda um número de pessoas que nos são tão próximas que é mero erro de genética o facto de não pertencerem à nossa árvore genealógica. Há tempos tu enumeravas a nossa família, dizendo os nomes e o parentesco. Sem qualquer dúvida incluíste a M. e o H. questionando se a M. era tua tia, ou o que seria. A verdade é que dúvidas não tiveste. Pois. Nós também não temos. :-)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Das explicações


Tu: Mãe o que é isso?
Eu: É um penso higiénico…
Tu: Hum…?
Eu: É como se fosse uma fralda, mas é usada pelas senhoras, é mais fininha e serve para absorver e não deixar que as cuecas se sujem…
Tu: Ficam sujas de cocó é mãe?
Eu: Não querida, de sangue.
Tu: (A tua cara muda: transparece horror) De sangue???
Eu: As meninas, quando crescem, passam a ter um vez por mês uma limpeza cá dentro, no corpo e sai sangue. É só para limpar e quer dizer que um dia mais tarde, se quiserem, já poderão ter bebés. É só isso?
Tu: E dói mãe???
Eu: Não dói nada, nem notamos. Só temos de pôr este penso para não nos sujarmos.
Tu: Oh mãe, eu também vou ter esse sangue?!
Eu: Um dia vais, mas ainda falta muito.
Tu: Oh mãe eu não quero!!!!
Eu: Não penses nisso, não tem nada de mal.

A nossa Carochinha

Tu: Pai como é que eu arranjo um marido?


Papá: Enquanto fores crescendo vais gostar deste ou daquele rapaz e um dia percebes que gostas mais de um do que dos outros, que gostas mesmo muito dele e, se ele também gostar muito de ti, namoram e casam.
Tu: Como é que eu sei?
Papá: Sabes porque vais gostar mesmo muito dele e ele de ti e depois assim podem namorar e casar e ele é o teu marido.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Operação

Em princípio - e é com o coração apertado que penso e escrevo sobre isto – vais mesmo ser operada. Tirar os adenoides e pôr uns tubinhos. Os adenoides atrapalham a circulação do líquido, os tubos vão ajudar a escoá-lo. Eventualmente o organismo rejeitá-los-á, entre 6 meses a um ano depois. O problema, além do óbvio de teres de passar por uma (duas) intervenção cirúrgica, é que enquanto tiveres os tubos, não podes molhar os ouvidos ou dares mergulhos. Ora se, como previsto, fores operada este mês… é fazer as contas… A avó sugeriu que passássemos as férias de Verão no campo, em vez de na praia, mas creio que seria (além de muito mais dispendioso) um desgosto para todos, sobretudo para ti. A ver vamos. Cada coisa a seu tempo… Estou nervosa, angustiada… Cada dia que passa dou por mim a pensar mais no assunto (a data vai chegar num ápice…). Poderia ter sido o ano passado, mas eu e o pai quisemos esgotar todas as hipóteses antes. E assim o fizemos… Mas estás na mesma. O ano terminou com uma otite e começou com duas (ainda hoje entrámos no segundo mês). A verdade é que, além de tudo isto, estás a perder audição e a falta de intervenção pode levar-te a isso mesmo. É por isto, e apenas por este facto, que demos o nosso ok. Claro que ainda vou ver se tenho outra opinião… Mas estou convencida que não há grande volta a dar. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Contornar

Nos últimos tempos tens dito umas meias-verdades… Para agradar, por vezes, para “te safares”, outras vezes. Ou só porque achas que são uma melhor resposta, uma resposta que não dará azo a mais questões. No início do ano querias ir a todas as actividades. Mais actividades que as possíveis, tendo em conta os 5 dias úteis que a semana tem. No final do 1.º trimestre começaste a dizer que já não querias ir ao teatro. Porque o menino X te batia ou incomodava. Percebi que o teatro, terá de ficar mais para a frente (não tenho dúvidas que és mulher para a expressão dramática, para o teatro cómico ou simplesmente para estar na ribalta… J). O teatro ficou sem efeito, era só uma vez por semana. Mas quando quiseste desistir da ginástica e manter apenas a dança estranhei. Lá disseste que eram os meninos, que não querias que te fizessem isto ou aquilo, que as tuas amigas nem sempre iam. Preocupei-me. Será que se passa mesmo alguma coisa? Com a promessa de que depois do Natal já só irias à dança, foste às últimas semanas. Certificavas-te sempre de que era esse o acordo e de que seria cumprido, perguntando muitas vezes. E assim foi. Também acabei por descobrir que, afinal, o motivo era só um, puro e simples: preferes ficar a brincar (no recreio ou na sala de prolongamento) do que ir à ginástica sem as tuas amigas do coração. E foi assim que sem dramas, ficámos com mais uns euros ao fim do mês e tu, com uma actividade apenas extra curricular. Agora falta cumprir a 2.ª promessa: voltar à natação. Tendo em consideração que a consulta de otorrino é já amanhã, creio que já estivemos mais longe.