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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Ainda do dente


No dia seguinte, 8h30 da manhã, entras no meu quarto acelerada e ao meu lado:
Tu: Mãe a fada do dente deixou um postal com uma nota!!!
Eu: Uau!!!! A sério?!?!
Tu: Sim!
Eu: Que espectacular! É para comprares um presente.
Tu: Não, algumas deixam presentes outras, notas para quando formos crescidos comprarmos um presente!!!
Eu: Ah... Uau.
Tu: Mas deixou cá o dente.
Eu: Ãh... E não devia?
Tu: As fadas levam os dentes mãe. Mas a minha se calhar esqueceu-se.
Eu: Ah... Não tinha ideia... Talvez se tenha esquecido…
Tu: Eu sei o que aconteceu! A fadinha é muito pequenina e não conseguiu abrir a caixinha!!
Eu: Achas que foi isso?
Tu: Foi, foi mãe. Ela é pequenina e fininha.
Eu: Bom, então tens de deixar a caixinha aberta esta noite, pode ser que ela volte para vir buscar o dentinho.
Tu: Pois tenho, debaixo da almofada. As fadas são muito fininhas e conseguem ir até debaixo das almofadas!!!
Eu: Hummm…
Tu: Olha mãe e o postal da fada tem imensas purpurinas! Diz: 'A tua fada'!!!
Eu: Uau Margarida....
Tu: A fadinha escreveu dum lado 8 estrelas, mas eu só tenho 6 anos e do outro escreveu 3 estrelas, mas a Maria só tem 2 anos… Se calhar ela não sabe.
Eu: Bom, talvez isso não sejam as vossas idades…
Tu: Devem ser mãe, mas a fadinha não sabe pronto.
:)))))
Notas mentais: Não esquecer de levar os dentes como troca. Dar sentido ao número de estrelinhas… (12042014)


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quinta-feira, 27 de março de 2014

Da nata..cinha

Na natação ainda tens muitas inseguranças. Já tentei perceber porquê. Não encontrei um motivo, um acontecimento, o que quer que seja que justifique, a não ser “porque sim”. És assim. Devagar chegarás longe, tenho a certeza e por ora é continuar a aproveitar o teu entusiasmo em frequentar as aulas, até porque nem sempre foi assim. Há duas coisas que ainda não fazes: saltar para a piscina (e entenda-se, para os nossos braços dentro da piscina) e mergulhar (ou pôr a cabeça debaixo de água). A propósito desta segunda questão a prof. A. – que deixa-me que te diga que continua a ser absolutamente m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a (já o era nas aulas da mana) – de vez em quando arranja uns pequenos truques para te ires ambientando. Numa destas aulas dizia a A.:
- Ai mãe temos de lavar esta touca (a tua) que está aqui um bocadinho suja! – E enquanto dizia deitava água pela tua cabeça abaixo. Depois disto prosseguimos, eu e tu, com o exercício do momento. Passados uns minutos perguntas-me visivelmente preocupada:
- Mamã a minha touca ainda tá xuja?
- Não Maria, já está limpinha.

- Ah que bom mãe. :-) :-) :-)
(10032014)

quarta-feira, 19 de março de 2014

Última ida ao cabeleireiro


Da última vez estiveste impaciente e passaste o tempo todo a perguntar se faltava muito. Desta vez disse-te para teres calma. Ajudou teres encontrado um colega de turma que se sentou antes de ti a cortar o cabelo. Portaste-te como uma menina crescida (também, que seria….) e dada a presença do teu colega (muito simpático por sinal) pediste que não te enrolassem a toalha na cabeça (como habitualmente gostas tanto) depois de lavar. Ai as vergonhas da pré-pré-adolescência, ahahah. E tu? Bemmmmm. Tu portaste-te l-i-n-d-a-m-e-n-t-e. A G. nem queria acreditar. A verdade é que não costumas ser difícil nestas coisas, nada. Mas quando digo que te portaste lindamente, foi mesmo top! Uns dias antes – como quase sempre que te dizemos que iremos fazer alguma coisa que não adoras – começaste por me dizer que não querias cortar o cabelo. 5.ª feira disse-te que eu ia cortar, depois seria a mana e depois tu. As três. Posto isto ouvi um “sim mãe”. E assim foi. É algo muito teu. A primeira reacção é geralmente negativa. Não é que te zangues, mas sempre que te dizemos vamos a sítio x, ou vais ter de fazer y…, ou teremos que… a primeira resposta é “não”. Não quero, eu não vou. Contudo, depois de conversarmos, depois de entenderes o porquê, depois de pensares no assunto respondes diferentemente. A partir daí não voltas atrás na tua palavra. Eu acho o máximo tendo em conta a tua tenra idade. Não desdizes, não arranjas desculpas de última hora, nada. Se é “sim” é “sim” (mas se continua a ser “não” é de facto difícil deixar de o ser também). Assim foi há uma semana no cabeleireiro. Depois de a mana estar pronta dissemos-te que era a tua vez. Não quiseste uma cadeira elevatória, querias sentar-te tal e qual como a mana. A G. acedeu. Depois disso pediste o iPhone para “xogar um xogo”. Sentadinha, de iPhone na mão, limitavas-te a responder ao que a G. te ia perguntando sobre o jogo ou sobre ti. Por vezes, quando sentias cabelos nas mãos, olhavas para elas para te certificares de que eram de facto cabelos que te incomodavam e depois, calmamente, sacudia-las. A G. teve tempo de cortar, acertar, ver e rever, usar esta e aquela tesoura. Por fim ainda pegou no secador e olhou para mim. Eu fiz aquele ar de “vai estragar tudo, nem tente”… A G. perguntou-te então se podia usar o secador para limpar os cabelos que estavam no teu pescoço. Acenaste, pois bem. E assim fez. Prontinha olhaste finalmente para nós, elogiámos-te o comportamento e o novo look, ficaste muito feliz e sorridente e foi assim. Tranquilo, tranquilo J. (03032014)

Assim sim!

E tu: Pai eu quero ficar nesta cadeira!
Pai: Não pode ser Maria, tens de ir para a tua. Essa cadeira é onde se senta a mãe.
E tu: Mas pai eu quero ficar nesta cadeira!
Pai: Mas se não fores para a tua eu não consigo dar-te bem a sopa.

E tu: Oh pai já comp’eendi, vou já! (04022014)

Uma tarde diferente


Celebrámos o aniversário da avó M. juntando-nos a ela, ao pai, ao tio e às amigas num almoço. Estavas radiante, fazias gracinhas, cantavas embora na hora de soprar as velas com a avó te tenhas retraído… como habitualmente entre pessoas que não te são totalmente conhecidas. Dali seguimos as duas para o colégio da mana onde nos esperavam a mana e os seus 29 colegas, de olhos bem abertos e ouvidos atentos. Antes de chegarmos disseste-me que ias pintar ao pé da mana. Porém, assim que entrámos na aula já não me largaste mais. No dia seguinte contaste à avó que tinhas ido à aula da mana ler a história com a mãe, mas não falaste com ninguém porque tinhas tido vegonha. Contigo ao colo li a história que, com a mana, tinha escolhido: A princesa em busca da felicidade. Omiti a primeira palavra do título, não fosse ter o sector masculino a refilar antes do fim da história, indignado com o facto de trazer uma história “para meninas”. Gostaram. A mana esteve sempre de sorriso tímido que alargava quando lhe piscava o olho entre as linhas. Era notório o seu sentimento de orgulho: a minha mãe está a ler-nos uma história, sentada na cadeira do meu professor e a minha maninha também veio. Finda a leitura, seguiram-se palmas, um grande reboliço, uma questão sobre a história e pedidos para “ver a bruxa no livro”. Saímos antes de terminada a aula. Com a mana pela mão lá foste, muitíssimo contente, visitar as suas queridas G. e S. Passaram no refeitório e apesar de ainda não ser a hora oficial do lanche, trouxeram na mão um pão cada uma, sob o ar inchado da mana mais velha que me disse já me conhecem, pedi e deram-nos. Enquanto percorriam os corredores e as salas (até a casa de banho onde a mana te levou a beber água), ouvia a mana dizer-te vês Maria aqui é a sala rosa e aqui a azul, vai ser uma destas a tua, para o ano. Como estava bastante frio, não deu para aproveitar os baloiços do recreio, mas dúvidas não houve quanto à vossa felicidade no percurso até casa. (03022014)