quarta-feira, 10 de abril de 2013

Camaleão

És, por natureza, tímida. É verdade que as crianças passam por muitas fases, umas em que são mais desinibidas do que outras. Mesmo a mana que sempre foi muito sociável, dada, despachada tem fases em que precisa de uns momentos (por vezes longos) para se sentir no seu ambiente ou à vontade. Ultimamente, por exemplo, nem sempre dança ou fala tanto quando exposta (com outras pessoas que não nós). Creio que tu és de facto mais tímida. Muito simpática e sempre sorridente, é verdade, mas sempre com vergonha. Manténs-te sorridente mas caladinha, não vais ao colo nem brincas enquanto não te sentes confiante. No Verão notámos mais com aquilo a que chamei de “efeito camaleão”. Sempre que se metiam contigo, te ofereciam uma bolacha ou simplesmente se chegavam ao pé de ti para te falar, mesmo sentando-se e ficando mais do “teu tamanho” a reacção era uma: paravas na posição em que estivesses (sentada, em pé, de cócoras) muito quieta, punhas um meio sorriso e só viravas os olhinhos de um lado para outro (sempre tentando não olhar a pessoa de frente) enquanto esperas que terminasse aquele momento e que se desinteressassem da tua pessoa. Cómico, que só visto! Só falta mesmo mudares de cor para a camuflagem ser completa :-).

A avó

Já vos disse que tenho muito orgulho na avó M.? Sinceramente. A avó é para mim uma autêntica inspiração e modelo. Além de tudo o que sempre foi para mim, da mãe e da avó exemplar, escolheu quase recomeçar a viver (digo, aproveitar a vida e a sua beleza e apenas aquilo que mais interessa neste nosso caminho), quando podia ter-se fechado para sempre. Não o fez. Escolheu sorrir, seguir em frente, voltar a ser feliz. Escolheu os filhos, as netas, os amigos e os passeios. Escolheu o sol e as flores e a praia. É um exemplo para mim, um modelo de força e ensinou-me o que realmente interessa. Somos privilegiadas por a termos. Acreditem. 

Aprender

Aprender é lindo. Aprender é das coisas melhores que nos acontecem no dia-a-dia. Aprender e apreender. Aprender aquilo que julgávamos saber desde sempre e, afinal, não era bem assim. Aprender de novo. Aprender pela primeira vez. Aprender com os mais velhos. Aprender com os nossos filhos. E ver-vos aprender connosco, com os outros, com o Mundo é simplesmente lindo. A evolução da tua fala e do teu raciocínio de ano para ano, Margarida. A evolução de tudo aquilo que “absorves”, qual esponjinha, Maria. Ouvir-te dizer coisas que eu te disse há muito, com um ar muito entendido e confiante, Margarida. A tua ida para o banho e ajudares a despir, comeres sozinha (que o fazes há já um ano), as partes do corpo, a tua reacção às nossas palavras, aos elogios, Maria. Aprender é lindo. Ver-vos crescer, bem e felizes, é tudo o que podemos querer :-).

O quebra-puns

Pois que a fase da “conversa do pum” (literalmente) dura e dura e dura. Adoras todo o tipo de brincadeira em que possas falar de pum, cocó e xixi. Enfim… que dizer? Na verdade é normalíssimo, creio que todas as crianças passam por estas fases tontas. O que já não será normal é aqui a mãezinha ter ido às lágrimas quando um destes dias o papá se lembrou de entrar na paródia e começou a ler “O Quebra-nozes”, substituindo o título por “O Quebra-puns” e, depois, adaptando todo o texto… tu rias que nem uma perdida. A tua irmão acompanhava-te nas gargalhadas (percebendo ou não, a verdade é que se tu te ris a Maria pensará que deverá ser giro e rir também) e eu… bom, eu estava na cozinha a ouvir e não conseguia parar de rir. Sem comentários… 

Das aulas de "ballet"




A última aula de ballet a que assisti foi fantástica. A tua evolução notória. Quer em termos de disciplina, movimento, coordenação e ritmo. O que mais gostei de ouvir foi a tua professora dizer que – muito embora eu ache que tens muito jeito para a ginástica, corres e saltas a toda a hora, seja no jardim, nos baloiços, no recreio ou no sofá de casa – tinhas muito jeito e não te achava minimamente “pesada” ou brusca nas aulas. Deu-me conforto. A sensação que eu tinha é que adoras o ballet e a dança, porque de facto és uma pessoa de música, de ritmo e gostas muito de dançar, mas que talvez pudesse não ser o melhor desporto para ti. Agora sei que, sigas ou não este desporto nos próximos tempos, a dança é algo para o qual tens apetência.